14/08/2026 | Logistíca Marítimo
Panorama: Super Tufão Dolphin e como os tufões na China afetam a logística
A China é um dos países mais expostos a ciclones tropicais do planeta. Em média, a região do Pacífico Noroeste registra mais de 20 tufões por ano, e a China costuma ser afetada por vários deles a cada temporada, especialmente entre junho e setembro. Nas últimas décadas, tufões como Doksuri (2023), Yagi e Bebinca (2024), Ragasa (2025) e, agora em 2026, Bavi, Noul e Dolphin ilustram como esses eventos moldam a logística, a segurança de suprimentos e a gestão de risco de portos e cidades costeiras.
Impactos logísticos e econômicos dos tufões na China
Como pudemos observar nos últimos dias, os impactos podem ter pequeno ou maior alcance, mas é necessária a observação próxima das atualizações para entender como proceder em relação às operações. Quando os tufões são anunciados pelas autoridades meteorológicas chinesas, podemos esperar:
- Paralisação de portos hub: autoridades portuárias e marítimas acionam protocolos de emergência, suspendendo operações de atracação, carregamento e descarga para garantir a segurança de tripulações e instalações. O avanço do Dolphin levou à interrupção de operações em terminais estratégicos como Ningbo-Zhoushan (um dos maiores portos de contêineres do mundo) e em partes do complexo de Shanghai. Antes do Dolphin o tufão Bavi já havia forçado o fechamento de portos em Shanghai e Ningbo entre 11 e 13 de julho.
- Atrasos em linhas marítimas (schedule reliability): a rotação de porta-contêineres sofre desvios e atrasos acumulados, gerando efeito dominó nas rotas operadas no Leste Asiático e nas conexões com América Latina e Europa. Depois da passagem do Bavi, provedores logísticos alertaram que a reabertura dos terminais não significava normalização imediata das escalas; em Shanghai, houve relatos de espera de até 72 horas para embarcações de certos serviços.
- Pressão sobre fretes e custos logísticos: em períodos de fechamento de portos, a fila de navios à espera de berço consequentemente aumenta, um cenário que eleva o custo de espera, pressiona fretes e pode ampliar atrasos na exportação global de commodities como soja, minério e petróleo.
- Interrupções em modais terrestres e aéreos: segundo a emissora estatal chinesa CCTV, 943 voos foram cancelados nos dois aeroportos de Xangai, quase 40% do total, por causa dos ventos do Dolphin que chegaram a 151 km/h.
- Riscos para infraestrutura energética e industrial: secas, calor extremo e tufões aumentam a probabilidade de falhas em subestações que alimentam pátios, silos e equipamentos portuários, impactando janelas de atração e desempenho de corredores. Em Okinawa, o Dolphin deixou mais de 50 mil prédios sem energia.
O que diferencia o Dolphin do restante?
Comparado a supertufões como Ragasa (256 km/h no mar) ou a tufões com ventos similares, o Dolphin não é o mais intenso em ventos, mas quando olhamos para o volume de chuva causado, entendemos o Dolphin como um evento excepcional, sendo classificado como o ciclone tropical mais forte a atingir a China até agora, causando um agravamento de congestionamento logístico.
Esse perfil de “menos vento, mais água” transforma esse novo super tufão em um caso típico de evento hidrológico extremo, com implicações diretas para drenagem urbana, infraestrutura costeira e planejamento de resiliência.
Em termos logísticos, o Dolphin reforçou a vulnerabilidade de portos hub como Ningbo-Zhoushan e Shanghai, interrompendo operações e ampliando atrasos em embarcações, consequentemente, afetando os orçamentos.
Tufões como vetor de risco logístico e urbano
Tufões como Doksuri, Yagi, Bebinca, Ragasa, Bavi, Noul e Dolphin mostram que a China vive sob risco climático estrutural, com impactos que vão muito além das áreas diretamente atingidas. Para a logística global, cada fechamento de porto em Xangai ou Ningbo se traduz em atrasos, custos extras e pressão sobre cadeias de suprimentos.
Vale lembrar que agentes informam um backlog de aproximadamente 400.000 TEUs represados ente Shanghai e Ninbgo, cenário que deve gerar um efeito dominó permanente para as próximas semanas. O acúmulo tende a pressionar a capacidade operacional e provocar congestionamentos em transbordos e hubs estratégicos, como Singapura e Busan, ampliando o risco de atrasos ao longo da cadeia.
Incorporar tufões ao planejamento da operação não é mais opcional: é estratégico. É a condição para manter competitividade, segurança de suprimentos e resiliência em um mundo com eventos extremos cada vez mais frequentes.
Contar com um parceiro que acompanha as mudanças climáticas, antecipa seus possíveis impactos e incorpora essas variáveis ao planejamento da operação é um trunfo para manter a fluidez logística.
Na South Cargo, acompanhamos de perto os cenários para ajudar você a se antecipar, avaliar alternativas e tomar decisões mais estratégicas.
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Fontes
[1] G1 – Tufão com ventos de 150 km/h causa enchentes e cancelamento de voos na China (2026, 10 de agosto). Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/08/10/tufao-ventos-150-kmh-enchentes-cancelamento-voos-china-video-caminhao-tombando.ghtml
[2] G1 – Tufão Dolphin atinge sul do Japão (2026, 8 de agosto). Disponível em: https://g1.globo.com/google/amp/mundo/noticia/2026/08/08/tufao-dolphin-atinge-sul-do-japao.ghtml
[3] Nações Unidas – [artigo sobre eventos climáticos extremos e seus impactos] (2023, agosto). Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2023/08/1818537
[4] VEJA – Tufão Dolphin inunda leste da China e força mais de 1 milhão de pessoas a fugir de casa (2026, 10 de agosto). Disponível em: https://veja.abril.com.br/mundo/tufao-dolphin-inunda-leste-da-china-e-forca-mais-de-1-milhao-de-pessoas-a-fugir-de-casa/